Nailê Rabelo Atelier

aquarelas|sketches|textos|eventos

Jundiaí - São Paulo - Brasil

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© 2019 por Nailê

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Heritage


Esse ano meu ipês floresceram

Fora de temporada

Estou certa que foi pra me ver

Chegar

Foi na manhã que 

Cheguei

Ah que perfume

Agora a cada vento

Neva em mim flores

Que milagre que somos!

A Receber

Aprendi

Permiti

Algumas coisas simplesmente

Mudam

O que mais me impressiona

É o céu, o tom do azul

Apesar de tudo ainda prefiro o de Paris

Percebi há 10 anos

Talvez de Edimburgo, mas não sei...

Quando eu cheguei minha meninas nem muito ligaram

Foi como se eu tivesse acabado de sair

Fui só comprar o pão...

Dois pães...

E voltei

E depois de quase seis meses

De manhã

Assim que eu abri portas e janelas

Minha florzinha estava me esperando

Como sempre

Sentada a me olhar

Pedindo para

Esperando eu dizer

"Bonjour mon amour"

Vamos almoçar?

Eu penso que foi meu cheiro

Não mudou

Reconheceu

Sempre fui dessa mesma essência

Mas até o fato de não mudar

Me faz ter de lidar

Com eu diferente

Meu diferente

Comigo diversa

E pra mudar,

Porque até não mudar

Me faz ter de transformar

Por si só

Comigo só

Em mim só

A sós

E só

Essa semana decidi

Que vou colocar tudo nos eixos

Pra largar mesmo

E dali pra frente!

Eu tenho uma escrivaninha

Do meu avô

Bati o pé por ela,

Ahh se valeu!

Eu tinha um lápis, uma borracha e um lápis borracha

Novos

Todo domingo, era hábito

Num esconderijo nela

De só nós dois

Conhecer

Eu precisava que guardá-la

Da lembrança

Dois dele guardei

O lápis borracha

E a mesa

Especiais

Até  hoje

Heritage...

Agora que cheguei

Precisei renovar

A casa e o trabalhos

Antigos

Meus interiores

Então enquanto espero

Lixei a mesma

A mesa lixei e lixei

Tanto

Que meu celular que já me conheceu diversa

Não reconhece mais minha digital

Penso que por ser terceira

E por isso só

Eu ri e ri

Disse que vou assumir a outra eu

Naquela noite meus braços doíam tanto

Que quase não consegui tirar a blusa

Aí me lembrei

Eu não faço dramas

Algumas coisas simplesmente não mudam

Então me mexi

Me esgueirei

Escorreguei

E parti a sair

Dali

Daquele mesmo mármore frio

Direto pra um banho quente

Pelando

Na pele

E tem mais

Minha língua, por exemplo

Precisei ser pantera

Até me doer

De língua ferina

Pra perceber

Que minha nova realidade

Faz menos som

Somente agir

Pensar

Que não me expresso tão bem

(De)Propósito

Não mais reagir

Nunca o fiz, eu resumo

Demais, até perder o sentido

Pra desinteressar

E me deixar

Agora menos

Penso sinto sempre mais

E ainda mais

Talvez porque apenas o inglês discorre bem

O italiano, francês e espanhol

Mélange tout, tout mélange

Ainda agora

Penso que é pela expressão

Me expressar

Ter de não ligar 

A sós

Foi triste, mas necessário

Percebi antes até, em Dublin

E agora de novo

Vi quando a voz mudou

Ouvi

Agora tento manter

Pra ver crescer

Mas é difícil quando certas coisas não mudam

Tive que perceber que é só

Que sou só

Pra poder

A sós

Ser

Então até do que era

Tenho de ser nova

Novamente

Renovar

São os valores de novo

Novamente

Valorar

Não é fácil quando carma tende a assombrar

Uffff só pra ser irônica...

Novamente

Desabituar

Agora vejo um processo

Novamente

Processar

Até perceber esse trem passar

Sei que é logo

Porque consigo vê-lo

E sem óculos

Era só bem de perto

Mas sabe!?

Ontem

Era noite

Eu me dirigi sem

E foi lindo

Eu pude ver

Todo o caminho

Iluminar

Penso que por estar disposta

Então dessa estação

Apesar, a pesar, passar, voar, brilhar

Posso vê-lo se aproximar

Posso ouvir buzinar

Posso sentir ventar

Posso tocar a poeira

Que vem comigo dançar

Trazendo o gosto de novo

De novo

Até poder

Caminhar em frente

Sempre

Avançar

De olho Avante

A emoção?

Lembra? 

EXpetacular!

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