Escarlate

Atualizado: 27 de Dez de 2018


Vi-me em cálice

Tinto como meu sangue

Escarlate

Doce,quente

Como minha carne

Vaso entornado

E boom

Um co(r)po quebrado

Turvam-se todos os sentidos

Dos vacilantes excessos permitidos

Os pés marcam

Caminhos tortuosos

Cambaleando entre as pedras partidas

De pedaços rasgados

Do sobe e desce infindável

Infundado

Cambaleio buscando o equilíbrio, tocando

Vislumbres do queria seria ter

Um medo toma-me a alma

Finda meu peito

Os antigos muros tortos ruíram

Bruscamente eu paro

Tomada de uma desconhecida tremenda

Buscando ver-me tremendo

Em frente ao espelho

O antes velho antigo rosto conhecido

Memorável, guardado em minha memória

As marcas, manchas e cicatrizes

Ardentes

De toda uma vida

De alma inquieta

Mas não...

Sem sentidos

Não sou mais reconhecida ali

É uma centelha em meu posto

Uma única conta

De um extenso fio

Infinito Infinita

A sensação de pureza

Toco meu rosto

Buscando o que antes me era familiar

Mas um brilho me cega

Uma fagulha

Um vislumbre

De uma potência

Antes apenas imaginada

Depositada nos confins

Da minha caverna

Brotada da minha recém descoberta

Paz em/de Ser

Olho em volta

Buscando aquele pequeno caminho estreito

Pelo qual me esgueirei ainda há pouco

Mas me detenho

Mais um passo e é todo um passado se esvai

Uma vida, quiçá

Evapora como num lapso

Rápido

Busco um porto

Segura

Sou eu

Sorrio, marcando meus novos riscos

Vincados na alma

Recém descoberta

Enfim percebo a minha presença

Nascida de um novo permitir-se

Ouço duas batidas

Em um uníssono

Uma porta ali

Buscava a resposta

Do corpo

Acordado

Ancorado num mar calmo de amar-se

Desvendada descobri-me

Em ingenuidade pueril

Crença na renascença

E quanto mais percebi

Já não era a criança.

“Deixe de lado as coisas infantis”

Me disse São Paulo

Larguei de pegar os trapos

E dei as costas ao que não era mais

Cheguei à porta

E ousei bater

Fui tomada do intenso desejo

Cegou-me de toda poeira

Da revelia

Foi o divino,ao me ser incutido

Aspirei levianamente

Ouço aquele uníssono

De novo

Agora conhecido

Agora apaziguador

E me foi aberta

 textos... 

Nailê Rabelo Atelier

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