Nailê Rabelo Atelier

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David, no Mármore

Atualizado: 27 de Dez de 2018


Vou tentar te explicar o indescritível

Em Firenze eu conheci David 

Tenta sentir comigo ta?

Vamos enlouquecer

Juntos

Eu já tinha ido em muitos lugares

Já tinha me tocado

Que eles fazem arte

Pra mostrar arte

Dizer o que ver

Como ver

Pra receber

Então estava meio cheia

Quase não fui

Naquela galeria chinfrim

Era sol de rachar

Fila

Um caixa de mal com a vida

Ufffff

Quente... Muito quente

Raio x

Eu estava com meu canivete

Aí quase desisti

Mas algo me chamou

Eu sabia, era Ele

Queria me conhecer

Quem diria em sã consciência que Ele é só

Mais uma estátua

Muito branca

De mãos grandes?!

Que diacho Ele tem?

Uh uh uh não eu...!

Entrei

Rodei por lá

Fiquei cantando

Desinteressada

O chão escorregava então dava pra dançar

Tchurururur

Pintura sacra...

Me assusta um pouco

Larararara

Ufffff

Muito!

Escuras, apagadas, aquelas expressões estranhas...

Me chocam um pouco

Um Botticelli aqui

Um Filippino ali...

Até bonito,mas no início deles

Não me interessou muito

Tombe...Pas ...De Bourrée...

E entrei num enorme salão

Uma passarela

Eu ainda estava viajando

Cabeça na Lua

Tchurururu

Quando olhei pro lado

Eu vi

Deus...

Era um homem

Tentando escapar do mármore 

Foi a luta mais doce que já senti

São simplesmente os opostos mais divinos

Que eu já vi

Tinha chuva em sol em meus olhos

Me emocione

Aí Deus...

Como ele surge

Nascendo do bloco

Branco

Puro

Limpo

Duro, frio

Se libertando

Esgueirando

Escapando

Selvagem

Doce

Poesia pura

Ele me cantou

Encantou

Quando não suportava mais emoção virei pro lado

Pra me... proteger?

Booooom

Era um governante

Outro do mesmo

Estavam no meio ainda

Estavam errados

Então foram largados

Assim

Ali

Amoleci

Esmaeci

Anestesiada

De êxtase

Uauuu

Cada detalhe

Passei o que pareceram dias ali!

Escapando com eles

Lutando os opostos em mim

Saindo do meu mármore

Eu também

Bela errante, consertante, caminhante

Ufaaa

Virei o rosto, só pra...

.

Meu

.

Deus

.

Era Ele...

DAVID

Olhei primeiro o óbvio

Trivial, Normal

Era branquinho

Homem

Grande

Mas saído daquele jeito que eu agora sabia

Em mim

E neles

Daquele bloco

Fomos Mágicos!

Comecei a andar até Ele

Acabou o mundo

Éramos só nós dois

Ele não se moveu

Andei horas até me aproximar

Eternidade

A admirar

Ele aumentava a cada passada

Mas olhava pro lado

A me ignorar

Impertinentes

Eu,

Ele

Gigante

Imponente

Divino

Abaixo de um Duomo

Ele reflete

Brilha

O branco

A energia

Que emana

Desisti

De fugir

Da emoção

Boooom...

Me penetrou

Transbordou

5 metros de represa

Flutuando a 2 do banal

Meus olhos em direção ao céu

Impõe

Docemente

1,63 tamanho da minha insignificância

Que nada,

Ele quem me chamou!

1,63 e 7 nós

Rodei ao seu redor

Agora olhava pra mim

Sucumbimos

Aos detalhes

Narinas

Veias

Buracos, todos

Pés

Unhas

O tronco, com cascas, todas

Posso 

Tocar?

Eu preciiiiiiiso

Delicadamente esculpido

As cores

Naquela luz...

Projeta uma sombra,

Os músculos

Escultural

Único

Divino

Extraordinário

E percebi

Que não é a perfeição

Ele não é

As mãos são mesmo grandes

Comparei com as minhas

Mas aquilo é tudo

Sabe?!

Não ele em si

Mas energia que emana

Do trabalho

Em si

Amor

Feito com dedicação

A entrega

De si

Amor

Cogitei se tenho coração

Sorri triste

Mas daquele jeito

Como senti...

Ahh como eu senti

Amor

Ele deu tudo

Se deu todo

Doce Michelângelo

Amou

Meu amor David

Em cada talhada

Dele 

Em mim

A sensação?

Perfeita...

A emoção...

Amor

Me rendi

Amei!

Oi meu Coração,

Acabei de te conhecer

Na Folha, Folhas

Prazer!

David, no Mármore!

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